sábado, 19 de abril de 2008

MÁRTIR DA SANTA CONFISSÃO

São João Nepomuceno
São Nepomuceno nasceu na cidade de Nepomuk, em um dos vales da Boêmia, por volta do ano de 1345. Já no ano de 1370 tinha o cargo de notório na Cúria Metropolitana. Nove anos depois, foi ordenado sacerdote e nomeado pároco de São Gil. Não obstante os encargos dessa grave função, continuou seus estudos de direito eclesiástico na Universidade de Praga na qual obteve o bacharelato. Em 1382, o arcebispo o enviou a Pádua, onde se doutorou em direito canônico, em 1387. Voltando logo em seguida a Praga, foi nomeado cônego da igreja de São Gil, mas ali permaneceu só dois anos. Em Agosto de 1390, tornou-se cônego honorário da catedral de São Vito e vigário geral dessa já então ampla e importante arquidiocese.
A partir desse momento, a providência o transformou em homem público.Os sermões pregados por São João Nepomuceno produziram notável mudança nos costumes e assim ele foi chamado a desempenhar o cargo de confessor da rainha. Para isso concorreram sua já conhecida virtude e a segurança doutrinária por ele tantas vezes demonstrada no púlpito.


Se, no entanto, a piedosa rainha colocava-se docilmente sob a direção espiritual de tão virtuoso sacerdote, o mesmo não se passaria com o rei. Além de ser dado a violentos acessos de fúria, foi ele tomado por uma infundada desconfiança em relação à fidelidade de sua esposa. Como nada encontrava para comprovar essa dúvida, mas seu coração mesquinho continuasse apegado a essa fantasiosa idéia mandou trazer o confessor a sua presença e exigiu-lhe contar em detalhes o que no confessionário lhe confidenciava a rainha. Espantado pela infundada desconfiança e muito mais pelo súbito pedido, João Nepomuceno com firmeza o recusou, afirmando categoricamente o princípio da inviolabilidade do segredo da confissão, o mesmo até hoje mantido pela santa Igreja.


“O que é dito dentro das santas paredes do confessionário é o mais estrito dos segredos. As palavras pelo penitente declaradas ante o sacerdote, sendo a matéria para a absolvição da alma pecadora ali mesmo morrem. Disso tudo, somente Deus é testemunha, e o sacerdote que algo disso revelasse a um terceiro cometeria um dos mais abomináveis sacrilégios contra o qual se levantaria imediatamente terrível excomunhão”.


A nada disso, porém, deu ouvidos o ímpio rei. Cego de furor, mandou brutalmente torturar o fiel confessor. Suportando sofrimentos terríveis João Nepomuceno manteve-se irredutível e isso só aumentou a fúria do cruel soberano.Por fim, vendo que nada conseguiria tirar de um homem tão firme e compenetrado de sua fé, mandou os esbirros amarrarem-no e atirarem-no de uma das pontes de Praga. Assim, o intrépido sacerdote entregou sua alma a Deus, perecendo afogado nas águas do rio Moldava. Era a noite de 20 de Março de 1393.


Após se encontrado o corpo de João Nepomuceno foi sepultado na própria catedral, onde logo passou a receber do povo as honras devidas a um mártir. Assim tinha início um forte e saudável movimento de veneração ao sacerdote que morrera em defesa do segredo da confissão.


O Papa Inocêncio XIII o declarou beato em 1721 e em 1722 o soberano Pontífice declarou aberto o processo de canonização de João Nepomuceno. Anos depois em 27 de Janeiro de 1725, uma comissão presidida pelo arcebispo de Praga examinou o corpo e realizaram a exumação dos restos mortais. O corpo se encontrava naturalmente desfeito pelo tempo, exceto a língua, a qual estava maravilhosamente conservada, ainda que ressequida.


E assim, em 19 de Março de 1729, na Basílica de São João de Latrão, pelas mãos do Papa Bento XIII, era solenemente elevado a honra dos altares São João Nepomuceno, mártir do segredo da confissão, cuja festa a Igreja comemora no dia 16 de Maio.
Pesquisa de Gilzélia de Morais, crismanda da capela Nossa Senhora Aparecida em Anápolis/Go.

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